Vulcano, O Deus do fogo
Hefesto ou Vulcano
Bem vindos!!! O presente texto tem como objetivo narrar um pouco da interessante história de Vulcano, uma das doze mais importantes divindades da mitologia Greco-romana. Sua vida possui ligação direta com a existência dos vulcões, e pode ser, para os que possuem a dádiva do espírito capaz de acreditar nas coisas fantásticas do universo, que esteja personificado hoje, no vulcão de mesmo nome, em uma das ilhas Eólias, no sul da Itália, aguardando a visita dos mais corajosos.

A mitologia dos antigos gregos e romanos pode ser considerada um dos acontecimentos culturais mais importantes e contagiantes da história da Humanidade. Aqueles homens, com suas dúvidas, certezas e incertezas construíram, ou descobriram, um conjunto fascinante e extenso de crenças, valores e costumes, que chegaram até nós através de narrativas originalmente produzidas através da tradição oral e legadas à posteridade por meio de documentos escritos.
Na enorme plêiade de Deuses, Deusas e Heróis que ao nosso conhecimento chegaram, um se destaca pela sua intimidade com a existência dos vulcões e sua estranha posição coadjuvante, quando na verdade estava muito próximo das decisões e acontecimentos mais importantes, que vivenciaram aqueles que são considerados protagonistas nas diversas narrativas. Este Deus se chamava Hefesto para os gregos ou Vulcano para os romanos da Antiguidade. Neste texto usaremos seu nome romano, como o de outras divindades.
Vulcano é um dos personagens mais enigmáticos, se assim podemos dizer, da mitologia Greco-romana, não apenas pelas diversas e diferentes versões de sua vida que chegaram até nós, como pela própria história de sua vida em si. Aqui buscaremos narra a versão que nos parece mais aceita pelos estudiosos mais celebrados.

Filho de Júpiter e Juno, ou em algumas versões, apenas de Juno, sendo auxiliada pelo Vento, Vulcano nasceu deformado, muitos dizendo que além dos problemas físicos, teria nascido também anão. Envergonhada com a aparência de seu filho, Juno o teria jogado no mar, sendo resgatado pela deusa titânica têtis. Esta o deixou escondido em uma gruta no mar, onde o mesmo fazia-lhe joias e artefatos de beleza inestimável. Cabe ressaltar que Vulcano tem como principal habilidade a capacidade de fabricar todo tipo de instrumento, armas, etc, sendo conhecido como o patrono dos ferreiros e artesãos.
Esta característica nos instiga refletir sobre a posição subalterna, e não apenas na cultura ocidental, do trabalho manual. Seria Vulcano uma representação deste posicionamento ideológico, em que as classes menos favorecidas, as que sempre foram responsáveis pelo labor manual, são tidas como de “menor” valor por sua própria natureza? Seria este um modo simbólico de imprimir no imaginário coletivo uma hierarquização social?
Vulcano aguardou pacientemente até que um dia decidiu se vingar, e assim construiu uma bela cadeira, ou trono, cheio de adornos e beleza, enviando-o para a morada dos Deuses. Juno, encantada com a beleza da mesma, sentou inocentemente. Contudo, a cadeira tinha a capacidade de prender todo aquele que a usasse, soltando a vitima somente com o comando de seu inventor. E Vulcano se recusou soltar a mãe que o abandonou. A narrativa mais aceita diz que seu amigo, Baco, o embebedou e conseguiu convencer o mesmo de soltar sua mãe. A mesma, satisfeita com o resultado, permitiu que o mesmo retornasse à morada dos Deuses.
Assim, Vulcano passou a ser o responsável por forjar as armas e utensílios mais importantes das divindades. Para tanto usava os vulcões como sua forja. Ele é o artista por trás dos raios de Júpiter, entre outras importantes obras, como a armadura de Aquiles, no caso grego.
Júpiter, satisfeito com os feitos de seu filho, lhe entregou em casamento a mão da mais bela Deusa, Vênus. Uma grande ironia, já que Vulcano era deformado e coxo (coxo devido a queda ao ser lançado por Juno). Inclusive, sua representação para os romanos era do Deus do Fogo, acreditando-se que muitos templos fora da cidade de Roma eram construídos em sua homenagem e sacrifícios eram feitos, em que pessoas eram jogadas no fogo ou mesmo nas crateras dos vulcões.
Vênus, por sua vez, não tardou em trair seu marido. E ao descobrir, Vulcano teceu fios que criaram uma armadilha, para quando a mesma se deitasse com outro, fosse presa e a farsa descoberta. Foi assim que ao deitar-se com Marte, o Deus da Guerra, ambos ficaram presos nos fios, na frente de todas as outras divindades.
Este é outro trecho que nos chama a atenção para uma problemática. Ora, estaria a narrativa, determinando a monogamia como o modelo moral “correto” que deveria ser seguido pela sociedade da época, criando assim uma “criminalização” de outras formas de convivência amorosa?

A verdade é que Vulcano é assim tratado em todos os trechos em que aparece nas narrativas mitológicas. Ora, sendo condecorado pelos seus magníficos feitos de engenharia - seu palácio era tido como fantástico, todo de bronze, reluzente sobre os demais – ora, sendo motivo de escárnio.

Porém, nossa conclusão é que este é um dos mais interessantes personagens mitológicos de todos os tempos. Apenas para enfatizar esta conclusão, seus servos eram nada menos que os gigantes Ciclopes.
Segundo Calímaco:
"As ninfas empalideceram à vista de tais gigantes semelhantes a montanhas e cujo olho único, sob espessa sobrancelha, brilhava ameaçadoramente. Uns faziam gemer imensos foles; outros, levantando os pesados martelos, batiam furiosamente o bronze que tiravam da fornalha. A bigorna estremece, o Etna e a Sicília tremem, a Itália ecoa o estrondo..., as próprias filhas dos Deuses, encaram tais gigantes com temor.”

Deste modo, todo aquele que tem a oportunidade de conhecer o sul da Itália, pode, quem sabe, encontrar um destes fantásticos seres pela frente, ou, quem sabe, o próprio e poderoso Vulcano. Tudo irá depender se o espírito estiver preparado para a aventura. Boa sorte!!!